O portal ORM publicou uma matéria sobre o Grupo Experimental Kronus e a peça "Amor Barato".
Confiram a matéria:
HUMOR ELEVA ROMENCE
Companhia Experimental de Teatro Kronus apresenta versão leve de uma obra portuguesa
A Companhia Experimental de Teatro Kronus encena hoje, às 18h30, no Teatro Waldemar Henrique, a montagem 'Amor barato: um amor proibido levado às últimas conseqüências', em que une ironias a fortes emoções do enredo original da obra 'Amor de perdição', de Camilo Castelo Branco, e acrescenta um novo personagem, o subconsciente do autor português.
Na adaptação, o objetivo do grupo está longe de quebrar o drama romancista dos personagens, mas a história sofre algumas alterações. 'Não tiramos o drama, porque não dá. Só que há um novo personagem, o Bobo da Corte, uma espécie de outro lado do Camilo, que tem o controle da história e responde pelas confusões mentais do autor', explica Breno Monteiro, diretor do espetáculo.
Esses conflitos psicológicos é que, segundo o diretor, tiram o 'peso' da dramaticidade e inspiram ares bem-humorados à montagem. O ambiente da peça corresponde ao cárcere onde Castelo Branco escreveu a obra. 'A peça é encenada na escuridão da prisão, onde o autor estava preso e Camilo sempre está presente, escrevendo a obra. No entanto, não é uma peça com ênfase no escritor, mas também não o deixa completamente de lado', diz Breno.
O romancista português escreveu 'Amor de perdição' dentro da cadeia, onde cumpria pena por adultério.
A obra faz parte da segunda fase do romantismo, em que o amor pode levar até as últimas consequências. Apesar disso, Bruno procurou um novo destino para os apaixonados Simão Botelho e Teresa Albuquerque. 'No roteiro adaptado, fizemos um final diferente do original. Não dá para terminar uma peça daquela forma, talvez o público não reagisse bem. Então, demos um ar espiritual para o desfecho', revela.
Durante o espetáculo, há leitura de trechos das correspondências trocadas pelos personagens e todas as intrigas e sofrimentos desse amor utópico.
Um Romeu e Julieta lusitano? Há controvérsias.
A obra ultra-romancista foi uma das primeiras peças encenadas pelo grupo, criado há quatro anos. 'No início, tínhamos a idéia de trabalhar somente com a interpretação de leituras obrigatórias, mas isso caiu por terra. Os nosso próximos trabalhos vão fugir um pouco disso', conta Breno.
No início, o grupo começou com apresentações em cursinhos e escolas, atingindo certo no público-alvo. Com o passar do tempo e as mudanças na proposta de encenação, o grupo começa a se apresentar em palcos maiores. Além da obra de Castelo Branco, a companhia já encenou uma adaptação de 'O noviço', obra de Martins Pena.
Fonte: www.orm.com.br